Se você tem acompanhado os Jogos Olímpicos, é muito provável que tenha reparado em um detalhe curioso no corpo de alguns competidores. Vários nadadores e atletas de outras modalidades vêm desfilando com grandes marcas circulares e avermelhadas espalhadas pelas costas e pelos ombros.
Fique tranquilo, pois nenhum deles foi vítima de um polvo gigante. Na verdade, essas manchas peculiares são o resultado de um tratamento milenar conhecido como ventosaterapia.
Essa técnica ganhou os holofotes do planeta durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, e desde então virou febre entre os melhores atletas do mundo. Mas o que exatamente são essas ventosas e por que despertam tanta paixão no esporte de alto rendimento?
O método consiste em posicionar recipientes especiais sobre a pele para gerar um efeito de vácuo. Essa sucção puxa o tecido para cima, estimulando a circulação sanguínea na região e funcionando como uma espécie de massagem profunda. O resultado visual desse processo são justamente aqueles círculos roxos ou avermelhados que chamam a atenção do público.
Muitos competidores confiam cegamente no método. Durante os Jogos de 2016, o ginasta Alexander Naddour definiu a prática como seu grande segredo para se manter saudável, garantindo que o investimento valia cada centavo. No basquete, o jogador Kyle Singler também já defendeu a técnica, apontando que, por mais assustadoras que as marcas pareçam, os tecidos relaxam e o corpo se recupera muito melhor com o tempo.
Mas, afinal, a ciência comprova a eficácia das ventosas?
A comunidade científica ainda divide opiniões. Alguns levantamentos indicam que a técnica pode aliviar dores musculares e incômodos típicos da atividade física. Uma revisão publicada em 2022, por exemplo, apontou que a versão úmida do procedimento pode ajudar no combate a dores na lombar. Por outro lado, instituições de peso como a Harvard Health ressaltam que as comprovações científicas definitivas sobre o método ainda são escassas.
Ainda assim, a falta de um aval científico unânime não diminui a paixão dos atletas pelo tratamento. Em grandes eventos globais, centenas de nadadores e competidores de dezenas de países continuam exibindo suas marcas com orgulho, provando que a prática vai muito além de uma única modalidade.
Do ponto de vista médico, a ventosaterapia é considerada um procedimento seguro. As manchas somem sozinhas após alguns dias ou semanas, e o incômodo durante a aplicação costuma se resumir a uma leve sensação de beliscão. Casos de complicações graves são raros, embora existam registros pontuais de infecções cutâneas.
Vale destacar que existem variações na técnica. Os atletas costumam recorrer à chamada ventosaterapia seca, enquanto a modalidade úmida envolve pequenas incisões na pele antes da sucção — método que esteve no centro daquele estudo de 2022 sobre dores lombares.
Seja por um mecanismo fisiológico real ou pelo poderoso efeito placebo, o fato é que os atletas sentem diferença em seus corpos. Para eles, o que importa é estar na sua melhor forma física.
Portanto, quando vir essas marcas em uma transmissão esportiva, você já sabe: não se trata de nenhum monstro marinho, mas sim de uma tradição milenar adaptada para alcançar o topo do pódio.