Uma imagem capturada do espaço pelo satélite Landsat 9, fruto de uma colaboração entre a NASA e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), chamou a atenção de brasileiros nas redes sociais. A foto, compartilhada pela Embaixada dos EUA no Brasil, exibe uma formação geológica circular e imponente no coração do Cerrado goiano, que se eleva cerca de 300 metros acima da planície. O registro visual, contudo, acabou gerando interpretações equivocadas.
Devido ao formato peculiar da estrutura, internautas rapidamente traçaram paralelos com a usina de enriquecimento de urânio de Fordow, no Irã, um local conhecido mundialmente por ser alvo de tensões geopolíticas. A comparação viralizou em redes sociais, alimentando teorias conspiratórias e boatos infundados de que o Brasil estaria envolvido em transações de urânio enriquecido com o governo iraniano — alegações que não possuem qualquer base na realidade.
A explicação para o fenômeno é puramente geológica e bastante pacífica. Valdir Silveira, geólogo e diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), esclareceu que a imagem registra, na verdade, a Serra de Caldas, nas proximidades de Caldas Novas, em Goiás.
Segundo o especialista, a formação não possui qualquer relação com minerais radioativos. A estrutura é um remanescente de atividades vulcânicas intensas que ocorreram há milhões de anos, conferindo à serra seu formato circular característico. O que se encontra ali, de fato, são as famosas águas termais que atraem turistas de todo o país.
Em vez de uma instalação secreta, a região abriga o Parque Estadual da Serra de Caldas. O local funciona como um importante santuário de preservação do Cerrado, oferecendo aos visitantes trilhas ecológicas, mirantes com vistas panorâmicas e cachoeiras. As águas naturalmente aquecidas da região consolidaram Caldas Novas como um dos destinos turísticos mais procurados, reforçando a natureza inofensiva e relaxante do local.