No dia 12 de junho, o voo AI171 da Air India iniciou o que deveria ser uma viagem de rotina entre Ahmedabad, na Índia, e o Aeroporto de Londres Gatwick. A bordo do Boeing 787-8 Dreamliner, viajavam 242 pessoas, incluindo cidadãos indianos, britânicos, um canadense e sete portugueses. No entanto, poucos minutos após a decolagem, a aeronave sofreu uma colisão violenta contra um alojamento médico próximo ao aeroporto, resultando em uma das maiores tragédias aéreas recentes.
Deste cenário desolador, apenas uma pessoa saiu com vida: Vishwash Kumar Ramesh, um passageiro britânico de 40 anos. Sentado na poltrona 11A, ele emergiu dos destroços como um milagre em meio ao caos. Atualmente em recuperação no Hospital Asarwa, seu depoimento tem sido crucial para que investigadores tentem entender os instantes que antecederam a queda.
Ramesh recorda que, logo após a decolagem, a experiência de voo tornou-se aterradora. Cerca de cinco a dez segundos depois de sair do solo, ele sentiu que a aeronave parecia estar "travada no ar", sem conseguir ganhar a altitude necessária para o voo de cruzeiro. Foi nesse momento que um detalhe técnico, porém vital, chamou sua atenção: as luzes da cabine começaram a piscar de forma atípica, alternando freneticamente entre tons de verde e branco.
O relato ganha contornos ainda mais sérios ao cruzar com informações sobre a mesma aeronave horas antes. Passageiros de um voo anterior haviam relatado falhas em componentes elétricos do jato. Especialistas sugerem que esse comportamento errático das luzes pode ser um sinal de falha elétrica crítica, o que explicaria por que o avião perdeu a capacidade de sustentar o voo e apresentou uma queda brusca, seguida por um estrondo ensurdecedor e o impacto fatal contra o solo.
Ao descrever o pós-acidente, Ramesh narra um cenário de horror absoluto. Após o choque e a explosão, ele conseguiu, ainda em choque, soltar o cinto de segurança e abrir caminho entre os escombros da fuselagem. Ele acredita que a posição do seu assento, próxima a uma saída de emergência que se desprendeu com o impacto, pode ter sido determinante para sua sobrevivência. Ao ver uma abertura nos destroços, ele seguiu a luz e foi resgatado por uma ambulância que já estava próxima ao local.
Enquanto a investigação oficial segue apurando diversas vertentes — desde falhas nos motores e problemas com flaps até a possível colisão com aves ou erro humano — o testemunho de Ramesh oferece uma peça fundamental. O relato sobre o avião "estagnado" no ar e o padrão luminoso instável reforça a hipótese de uma falha técnica preexistente. Cada detalhe compartilhado pelo único sobrevivente ajuda a montar o complexo e trágico quebra-cabeça dos minutos decisivos que mudaram o destino de tantas famílias.