O sistema judiciário chinês enviou uma mensagem contundente ao mundo ao executar 11 membros da família Ming. O clã, que liderava uma gigantesca rede criminosa, foi punido pelo envolvimento direto em fraudes digitais de proporções bilionárias e uma lista extensa de crimes violentos.
A sentença foi selada após um processo conduzido pelo Tribunal Popular Intermediário de Wenzhou. Mesmo após tentativas de recurso, a Suprema Corte Popular de Pequim manteve a decisão, classificando as evidências contra o grupo como inquestionáveis.
Operando a partir de Laukkaing, em Mianmar — uma área estratégica próxima à fronteira chinesa —, o grupo transformou a região em um centro de operações ilícitas. Estima-se que, desde 2015, a família movimentava mais de 1 bilhão de libras anualmente através de esquemas sofisticados.
Um dos pilares da fortuna ilegal era a chamada fraude romântica. Sob coerção, pessoas traficadas eram obrigadas a simular relacionamentos afetivos em plataformas digitais para extrair dinheiro de vítimas, convencendo-as a investir em criptoativos falsos ou sites de fachada. O império do crime ainda incluía cassinos ilegais, tráfico de entorpecentes e redes de prostituição.
O cotidiano das vítimas traficadas para trabalhar sob o comando dos Ming era descrito como um pesadelo de vigilância constante e tortura. Aqueles que não cumpriam as metas de extorsão ou tentavam escapar sofriam punições físicas brutais.
O desmantelamento da organização ocorreu em 2023, durante uma ofensiva das autoridades locais. Ming Xuechang, o patriarca da família, cometeu suicídio no momento em que as forças de segurança se aproximavam para prendê-lo. Os demais integrantes capturados foram extraditados para a China para enfrentar a justiça.
Enquanto 11 membros receberam a pena capital, outros 20 comparsas foram sentenciados a penas que variam de cinco anos de reclusão até a prisão perpétua. Alguns dos réus chegaram a confessar os crimes perante o tribunal, pedindo clemência.
Este episódio não é um caso isolado, mas parte de uma campanha mais ampla. Estima-se que centenas de milhares de pessoas sejam mantidas em condições análogas à escravidão em centros de golpes espalhados pelo Sudeste Asiático. Como resposta, a China tem exercido forte pressão diplomática e militar sobre a região.
O cerco contra o crime organizado não para por aí. Relatos indicam que outros clãs, envolvidos em esquemas de magnitude semelhante, já estão na mira dos tribunais chineses, com condenações à morte já sendo aplicadas a integrantes de grupos rivais.