Por que prender a respiração por muito tempo causa desconforto?
Prender a respiração causa desconforto principalmente porque o dióxido de carbono (CO₂) começa a se acumular no sangue. O aumento do CO₂ altera o pH e ativa os centros respiratórios do cérebro, criando uma forte vontade de respirar.
O que acontece quando prendemos a respiração?
Quando paramos de respirar, os pulmões deixam de receber ar novo.
O corpo continua consumindo oxigénio e produzindo CO₂ através do metabolismo celular. Assim, o oxigénio diminui gradualmente e o CO₂ aumenta.
Por que o CO₂ provoca vontade de respirar?
O aumento do CO₂ faz o sangue ficar mais ácido.
Sensores químicos e estruturas do tronco cerebral detectam essas alterações e aumentam progressivamente o impulso para respirar.
É principalmente esse aumento do CO₂ que torna difícil continuar prendendo a respiração.
Por que sentimos pressão ou aperto no peito?
À medida que a necessidade respiratória aumenta, os músculos respiratórios podem começar a receber sinais involuntários para contrair.
Essas contrações, juntamente com a sensação crescente de necessidade de ar, podem ser percebidas como pressão, aperto ou desconforto no peito.
Por que o diafragma pode começar a se mexer sozinho?
Mesmo quando decidimos conscientemente não respirar, os centros automáticos do tronco cerebral continuam funcionando.
Quando o estímulo respiratório fica suficientemente forte, podem surgir contrações involuntárias do diafragma e de outros músculos respiratórios.
É o que sentimos como pequenos “espasmos” durante uma longa apneia voluntária.
O oxigénio baixo também causa desconforto?
Sim, mas normalmente o aumento do CO₂ é o principal responsável pela sensação inicial de falta de ar.
Quando o oxigénio cai significativamente, os quimiorrecetores dos corpos carotídeos e corpos aórticos também aumentam o estímulo respiratório.
Por que conseguimos prender a respiração por mais tempo depois de treinar?
O treino de apneia pode melhorar a tolerância ao aumento de CO₂ e alterar a resposta à sensação de desconforto.
Isso não significa que o corpo deixe de precisar de oxigénio. Significa principalmente que a pessoa consegue tolerar durante mais tempo os sinais que normalmente provocam a vontade de respirar.
Por que não conseguimos simplesmente ignorar a vontade de respirar?
A respiração possui um controlo automático muito forte.
Podemos interferir voluntariamente por algum tempo, mas os circuitos automáticos continuam monitorizando a composição do sangue e aumentando o impulso respiratório.
O que acontece se continuarmos prendendo a respiração?
O CO₂ continua aumentando e o oxigénio continua diminuindo.
Se a apneia for prolongada o suficiente, podem surgir tontura, confusão, perda de consciência e, em situações extremas, lesões graves ou morte.
Por que prender a respiração debaixo de água é especialmente perigoso?
A perda de consciência debaixo de água pode resultar em afogamento.
Além disso, tentar prolongar uma apneia através de hiperventilação antes de entrar na água pode ser particularmente perigoso, porque reduz o CO₂ sem aumentar proporcionalmente a reserva de oxigénio e pode atrasar o forte impulso de respirar.
Em resumo
Prender a respiração causa desconforto principalmente porque o CO₂ se acumula no sangue e reduz o pH, ativando os centros respiratórios do cérebro. O oxigénio também diminui, mas a crescente concentração de CO₂ é geralmente o principal motivo pelo qual sentimos uma forte vontade de voltar a respirar.
