O vício começou de forma inofensiva durante os confinamentos da pandemia. Para Hannah Roth, uma mãe de 30 anos que vive no Tennessee, nos Estados Unidos, o vape surgiu como um refúgio para aliviar o estresse dos dias difíceis. Mesmo nunca tendo sido fumante, ela logo desenvolveu uma dependência severa, utilizando o dispositivo quase a cada hora. O que parecia ser apenas um hábito de controle emocional, porém, transformou-se em uma ameaça mortal após quatro anos de uso constante.
O sinal de alerta veio de forma física e assustadora: calafrios constantes e um ruído metálico, semelhante a estalos, vindo de seu peito a cada inspiração. Inicialmente confundida com uma bronquite ou gripe comum, a situação rapidamente escalou. Com uma febre persistente que atingiu os 40°C, Hannah precisou ser levada às pressas para o hospital.
Na emergência, os exames revelaram um cenário alarmante no pulmão direito. Os médicos detectaram uma condição conhecida como "árvore em brotamento", um termo técnico que descreve o acúmulo de secreções e a deterioração do tecido pulmonar, algo que, em condições normais, seria esperado apenas em fumantes crônicos de longa data. O diagnóstico foi direto: pneumonia induzida pelo uso do cigarro eletrônico.
Ao ver as imagens do Raio-X, Hannah entrou em choque. Os médicos foram incisivos ao comparar o estado dos seus pulmões aos de uma pessoa de 80 anos. A explicação médica foi ainda mais perturbadora: o vapor inalado agia como um agente térmico agressivo, literalmente "fritando" o interior dos seus pulmões. Diante da gravidade, o médico recolheu o dispositivo que ela trazia na bolsa e o descartou no lixo, advertindo que o vício a levaria à morte caso não fosse interrompido imediatamente.
A experiência foi um divisor de águas. Desde abril, Hannah mantém o compromisso de se manter longe do vape, focando na recuperação de sua saúde. Embora o processo de abstinência ainda apresente desafios, ela utiliza pequenos hábitos, como mascar chiclete, para controlar a ansiedade. O esforço tem compensado: a função respiratória melhorou, os estalos no peito desapareceram e ela voltou a ter energia para brincar com os filhos sem o cansaço exaustivo de antes.
Hoje, Hannah usa sua própria história como um alerta necessário. Sua mensagem para quem considera começar — ou para quem já está preso ao vício — é categórica: o vape não é uma válvula de escape segura. Ela reforça que o risco à vida e aos danos irreversíveis à saúde não compensam qualquer benefício momentâneo de relaxamento. Para ela, a escolha é simples, mas vital: abrir mão do dispositivo para preservar o próprio futuro e o convívio com a família.