O caso de Wade Wilson, apelidado pela mídia de assassino Deadpool devido ao seu nome, tornou-se um dos tópicos mais discutidos recentemente após ser retratado em uma produção da Netflix. Em 2019, o homem de 31 anos cometeu dois homicídios brutais em Cape Coral, na Flórida, que deixaram as autoridades locais perplexas, não apenas pela crueldade dos atos, mas pela frieza absoluta do criminoso.
Apesar de compartilhar o nome com o personagem da Marvel, a personalidade de Wilson era o oposto de qualquer heroísmo. Investigadores descrevem um perfil manipulador, calculista e desprovido de qualquer sinal de empatia. Ele falava sobre os assassinatos com uma naturalidade perturbadora.
A primeira vítima, Kristine Melton, de 35 anos, foi morta em 6 de outubro de 2019. Eles se conheceram em um bar e seguiram para a casa dela. Após a saída de uma amiga que os acompanhava, ele a estrangulou. Logo após o crime, Wilson roubou o carro de Kristine e, enquanto circulava por Cape Coral, abordou Diane Ruiz, que caminhava pela rua, sob o pretexto de pedir informações.
Foi nesse momento que o caso revelou seu lado mais macabro. Enquanto a polícia realizava buscas por Diane, Wilson entrou em contato com o detetive Nick Jones. Sem saber que o corpo da vítima já havia sido localizado, ele tentou barganhar informações cruciais por comida.
Em uma gravação telefônica, Wilson propôs um acordo surreal: Você me dá um hambúrguer e uma batata frita e eu levo vocês exatamente onde querem. Ele insistiu no pedido com desdém, afirmando que estava com fome e que a luz do dia estava acabando. Para os policiais, era um momento bizarro onde uma vida humana era tratada como moeda de troca por uma refeição de fast-food.
Nos interrogatórios, a frieza persistiu. Wilson admitiu que utilizava sua aparência para atrair mulheres e descreveu o assassinato de Diane Ruiz com detalhes gráficos. Ele confessou que, ao perceber que ela tentava escapar, decidiu matá-la rapidamente. Após estrangulá-la dentro do carro, ele a jogou para fora e passou com o veículo sobre ela repetidas vezes.
O detetive Nick Jones relatou que olhar nos olhos de Wilson era uma experiência aterrorizante, descrevendo-os como vazios, sem qualquer sombra de remorso ou humanidade. O pai biológico do assassino, Steven Testasecca, foi uma figura chave na investigação, chegando a testemunhar contra o próprio filho após colaborar com a polícia na tentativa de localizar Diane.
Mesmo diante da gravidade dos fatos e da repercussão internacional, o caso gerou uma resposta inesperada: Wilson passou a receber diversas cartas de admiradoras na prisão, chegando a se vangloriar de ser o detento mais procurado do momento.
O desfecho jurídico ocorreu em 2024. Em junho, ele foi considerado culpado por assassinato em primeiro grau e, em agosto, a justiça da Flórida decretou duas sentenças de morte, encerrando um dos episódios mais sombrios e surreais da história criminal recente do estado.