Um novo estudo científico lançou luz sobre um sinal de alerta precoce para a demência que, até então, passava despercebido por muitas pessoas: alterações na composição da urina. Embora variações no hábito urinário possam ser causadas por fatores simples, como o consumo de água ou infecções, pesquisadores identificaram que um aspecto específico está diretamente ligado ao risco de desenvolver a doença.
Dados do Alzheimer’s Research UK apontam que a demência foi a principal causa de morte no Reino Unido em 2022, ceifando mais de 74 mil vidas. A condição, que engloba o Alzheimer, causa uma deterioração progressiva na memória, linguagem, coordenação motora e estabilidade emocional.
Pesquisas anteriores já haviam estabelecido conexões entre o sistema digestivo, como a constipação crônica, e o declínio cognitivo. Agora, cientistas suecos do Instituto Karolinska deram um passo adiante, identificando que a presença de espuma na urina pode ser um indicador clínico relevante.
Essa espuma, que se assemelha à de um copo de cerveja, pode sinalizar a presença excessiva de uma proteína chamada albumina. Essa condição, denominada albuminúria, costuma indicar danos aos rins. Segundo a professora Hong Xu, neurobióloga e pesquisadora do estudo, o elo entre rins e cérebro é mais profundo do que imaginamos.
Ambos os órgãos dependem de uma complexa rede de pequenos vasos sanguíneos. Quando esses vasos são danificados nos rins, é comum que o mesmo processo ocorra no cérebro.
Para chegar a essa conclusão, a equipe acompanhou cerca de 130 mil pessoas acima de 65 anos em Estocolmo. Após um período de quatro anos, notou-se que participantes com níveis moderados de albumina na urina possuíam um risco 25% maior de desenvolver algum quadro de demência. Para aqueles com níveis mais elevados de proteína, esse risco subia para 37%.
Além da urina espumosa, outros sinais de alerta incluem o aumento da frequência urinária e inchaços visíveis nos olhos, tornozelos ou abdômen. A correlação foi especialmente forte com a demência vascular, causada por falhas na circulação sanguínea cerebral.
Os achados, publicados no Journal of Internal Medicine, sugerem que a triagem de albumina deve ser integrada aos exames de rotina, sobretudo para pacientes com diabetes, hipertensão ou histórico de doenças renais e cardiovasculares.
A detecção precoce desse marcador abre portas para intervenções mais assertivas, permitindo que médicos atuem na saúde dos rins e, consequentemente, na proteção do cérebro, possivelmente retardando ou prevenindo o avanço de quadros demenciais.